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Açúcar perde espaço para etanol

 O direcionamento da moagem de cana-de-açúcar para a produção de etanol deverá ser maior do que o previsto no início da safra 2013/2014, segundo representantes e analistas do setor consultados pelo DCI. No início da colheita, a perspectiva já era de que a produção sucroalcooleira deste período pudesse ser destinada preferencialmente ao álcool. Na safra passada, o Etanol do Centro-Sul consumiu 50,59% do volume decana colhido.
"Todo o incremento dessa safra vai ser direcionado à produção de Etanol", estima o diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) Antonio de Pádua . De acordo com a projeção da entidade, o setor moerá nesta safra 589,6 milhões de toneladas, 56,8 milhões a mais do que no período anterior.
A tendência alcooleira vem ocorrendo desde o início da colheita até metade de julho, de acordo com o último relatório da Unica. Até metade do mês, 57,45% do volume colhido foi direcionado para o Etanol.
A preferência pela produção de Etanol já vinha sendo ditada pelos baixos preços do açúcar no mercado internacional neste ano, mas o fator climático entrou como novo estímulo. Segundo Plinio Nastari, presidente da Datagro, "as chuvas que vêm ocorrendo desde o fim de maio, com maior intensidade em junho, e agora em julho, seguidas dessa geada afetando principalmente as regiões canavieiras do Paraná, Mato Grosso do Sul e Pontal do Paranapanema (SP) estão levando à tendência de redução do teor de açúcarna cana, dificuldades no aproveitamento de tempo das usinas para a moagem e a inversão de açúcares contidos na cana, dificultando a fabricação de açúcar e favorecendo a produção de Etanol". Ele aposta em um mix de produção alcooleira "mais do que o inicialmente estimado".

Impacto no preço

O preço do Etanol no mercado interno já tem caído com o avanço da colheita. Entre 15 e 19 de julho, o indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea)/Esalq do Etanol hidratado combustível em São Paulo recuou 3,3% na semana e fechou em R$ 1,0978 o litro.
Pádua aposta numa reversão dessa tendência com o aumento da demanda por Etanol na bomba. Apesar do aumento de 27,11% nas vendas no Centro-Sul na primeira quinzena, na comparação com o ano passado, o diretor da Unica acredita que "a demanda ainda não veio". "Esse aumento deveria ter acontecido desde o início da safra, mas só aconteceu nas últimas duas quinzenas. Precisa continuar nesse patamar."

Geadas dão pouco prejuízo

Se o clima mais frio e úmido neste inverno tem impacto na composição da cana, os danos ao volume produzido ainda não puderam ser calculados, mas membros do setor preveem baixo impacto. "A princípio não vi efeitos negativos de grande monta", afirma Pádua.
O presidente da Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana), Paulo Sérgio Leal, diz que o noroeste do Paraná foi a região mais prejudicada, onde 5% da área plantada pode ter sido comprometida. "Mas já estamos na época de colheita. Onde a plantação foi afetada com geada, pode cortar a cana. Não vai ter perda significativa", estima Leal.

Apesar do baixo impacto em volume de cana colhida, que nesta safra será 10,7% maior que a safra passada, o tempo úmido pode complicar o processo de moagem. Segundo Nastari, a chuva pode retardar essa etapa e levar a uma oferta menor de açúcar.
Pádua, da Unica, acrescenta que essa possibilidade de redução da moagem, durante uma safra com maior produtividade, leva ao risco de um contingente maior de cana que não vai ser colhido. Apesar disso, a colheita anda a todo vapor. Mesmo com um atraso de 15 dias, decorrente da pausa forçada pelas chuvas durante o mês de junho, 45% da canaprevista para a safra atual já haviam sido colhidos até a semana passada, segundo a Unica.

 

Fonte: Camila Souza Ramos do DCI via Agência UDOP de notícias