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Arnaldo Bortolleto, da Coplacana traça um panorama da safra na região de Piracicaba (SP)

O presidente da Coplacana, Arnaldo Antonio Bortolleto, comenta o atual momento dos fornecedores de cana-de-açúcar na região de Piracicaba (SP) ligados à Associação dos Fornecedores de Cana de Piracicaba (Afocapi). Acompanhe a entrevista concedida ao Jornal Cana.

Como está a atividade na região de Piracicaba (SP) para os associados da Afocapi?

O cenário em Piracicaba não foge do ocorrido no Centro-Sul, 2011 foi o último ano em que o preço da cana-de-açúcar cobria os custos de produção. Desde então, o custo produtivo da cultura está maior e o valor final do produto não abate sua produção.

Esse ano estamos com custo de produção, via Orplana, em média de 75 reais por tonelada. A expectativa é fechar a safra com preço próximo a 63 reais, um prejuízo acima de 10 reais por tonelada.

A seca interferiu muito no desenvolvimento dos canaviais da região?

Nossa região é bem extensa, posso adiantar que na média tivemos quebra de safra média próxima a 12%, com regiões onde a queda de produtividade chegou a 50% e em outras onde não houve prejuízo. A interferência ambiental este ano foi relevante para definição da safra, a seca de 2014 foi a mais forte dos últimos 50 anos em Piracicaba.

É possível traçar um panorama da safra 2014/15?

Falta um mês para fecharmos o valor do nosso ATR, esperamos que fique em 0,4750, há certa redução em relação ao ano passado, que fechou próximo a 0,50.  Esta queda está relacionada a desvalorização do preço internacional do açúcar e e a estagnação do valor do etanol. Uma situação ruim para nós, pois o custo de produção continuou a subir e o produto final da agroindústria não acompanhou.

Os fornecedores da região possuem tradição na produção de grão. A comercialização destes tem ajudado na amortização de custos?

Dos nossos 4 mil associados, aproximadamente 50% realizam rotação de cultura com milho ou soja. Entendemos que esta produção é importante para equilibrar os custos da atividade. Estimulamos a rotação de culturas, fornecemos na cooperativa toda a estrutura para receber e processar estes grão. Cuidamos ainda da comercialização do farelo e óleo de soja e da distribuição dos farelos de milho e soja para abastecimento interno de nossos produtores.

O Ministério do Trabalho tem fiscalizado constantemente fornecedores de cana e cobrado as devidas adequações às Leis trabalhistas. Qual o papel da cooperativa e da associação nesta adequação dos produtores à legislação?

Entendemos a importância da adequação dos processos agrícolas às leis trabalhistas, por este motivo estimulamos o diálogo entre o Ministério do Trabalho e nossos associados, para que estes percebam quais pontos devem ser melhorados ou implantados para que haja respeito a mão-de-obra e devida produção correta da cana-de-açúcar.

Sabemos que tais encargos e investimentos trazem maiores custos para nosso setor, porém não existe meio-termo no cumprimento de qualquer lei, se quisermos produzir cana, devemos fazer conforme a legislação diz.

 

Fonte: Jornal Cana