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Biotecnologia industrial se consolida como setor estratégico no Brasil

 

 

São Paulo, 29 de abril de 2015 - O setor de biotecnologia industrial, considerada a terceira revolução industrial, vem se consolidando como um dos mais estratégicos para o Brasil. Uma série de conquistas nos últimos meses comprovou o potencial do país em assumir a liderança na agenda mundial da bioeconomia e inovação.
 
Para apoiar a realização desse futuro, 12 empresas brasileiras e multinacionais, com foco em produtos bioquímicos e biocombustíveis avançados, se uniram há exatamente um ano (abril de 2014) para criar a ABBI – Associação Brasileira de Biotecnologia Industrial, que vem incentivando o diálogo e mobilizando a indústria, o setor público, e a sociedade civil, para a construção de uma nova economia brasileira, baseada na sustentabilidade e inovação.
 
“A ABBI acredita que a biotecnologia industrial é um setor promissor de desenvolvimento econômico e social do Brasil”, afirma Bernardo Silva, Presidente-Executivo da ABBI. E destaca: “A primeira onda dos investimentos confirma essa grande promessa e o país possui o ambiente mais propício no mundo para o desenvolvimento desse mercado, reunindo biodiversidade e matéria-prima abundante, tecnologia de ponta e recursos”.
 
O pioneirismo e a competência brasileira são reforçados pelas duas plantas de etanol celulósico em escala comercial que entraram em operação em 2014. Além de produzirem o combustível gerado a partir de palha e bagaço da cana-de-açúcar, as fábricas de GranBio e Raízen – localizadas em Alagoas e São Paulo, respectivamente - geram também energia elétrica a partir de biomassa e de resíduos industriais, como a lignina. Outro ganho para o setor é o fato de o etanol 2G da GranBio ter sido considerado o biocombustível comercial mais limpo do mundo pelo Air Resources Board (ARB), órgão do governo da Califórnia, EUA.
 
Em paralelo, o CTC, o maior centro de pesquisa de cana-de-açúcar do mundo, também começou a operar sua planta de demonstração de etanol 2G, em São Manuel, SP, ao mesmo tempo que a espanhola Abengoa anunciou investimentos no Brasil para construir uma unidade produtora do biocombustível, em Pirassununga, SP. Juntos, os quatro projetos vão produzir 140 milhões de litros do biocombustível por ano. Esse reforço será importante para atender à crescente demanda interna por biocombustíveis, impulsionada ainda mais pela aprovação do aumento da mistura de etanol na gasolina de 25% para 27%.
 
Além disso, o novo Ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, apresentou recentemente a visão do governo brasileiro sobre a necessidade de fomentar a produção nacional de biocombustíveis, com o etanol 2G já figurando como uma alternativa factível. Corroborando com essa perspectiva, o CTBE – Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol - e o BNDES lançaram há pouco um estudo que comprova a viabilidade econômica do etanol celulósico, que deve ter custo de produção mais competitivo que o de primeira geração em menos de cinco anos.
 
É importante destacar que o desenvolvimento da indústria de etanol 2G está fortemente atrelado não só ao investimento público e privado e à entrada de grandes companhias nesse mercado, mas também ao desenvolvimento tecnológico por outras empresas de biotecnologia que fazem parte da cadeia produtiva dos biocombustíveis. A Novozymes, líder mundial em enzimas industriais e que fornece tecnologias utilizadas em projetos no Brasil, vem pesquisando há mais de 15 anos coquetéis de enzimas que possibilitem a produção de etanol a partir das mais variadas fontes, apostando na farta disponibilidade e diversidade brasileira de biomassas.
 
Recentemente, a DuPont anunciou parceria com a brasileira Dedini Indústria de Base e com a argentina Porta para fornecimento de tecnologia e equipamentos para a construção de usinas de etanol de milho no Brasil, sendo a responsável pelo fornecimento de enzimas e biocidas para a produção do biocombustível. Já a holandesa DSM, que traz o modelo de produção de seus coquetéis enzimáticos na própria planta de etanol 2G e foi pioneira no Brasil com a introdução da primeira levedura comercial capaz de fermentar os açúcares provenientes da biomassa, vem apostando nas oportunidades da biotecnologia industrial para desenvolver microrganismos que viabilizem cada vez mais a produção de etanol de segunda geração e bioquímicos no Brasil.
 
Além do etanol celulósico, o setor de biotecnologia industrial avançou em outras áreas, desde o diesel e bioquerosene feito a partir da cana de açúcar até os bioquímicos. A Amyris, que opera sua biorefinaria em Brotas, SP, começou a produzir em meados de 2013 o primeiro bioquerosene feito a partir de cana de açúcar para a aviação comercial, além de fornecer o diesel de cana que é utilizado por centenas de ônibus em São Paulo diariamente, reduzindo poluição na área metropolitana.
 
Foi constituída também a SGBio, joint venture formada pela Rhodia, do Grupo Solvay, e pela GranBio, com o objetivo desenvolver o bio n-butanol, composto utilizado na fabricação de tintas e solventes.
 
A biotecnologia industrial brasileira contou com um importante apoio do BNDES e da Finep. Por meio do PAISS - Programa de Apoio à Inovação ao Setor Sucroalcooleiro - 35 projetos foram financiados, num total de recursos próximo de R$ 2 bilhões.
 
Recentemente, o IABD - Banco Interamericano de Desenvolvimento - anunciou que tem US$ 100 milhões disponíveis para projetos ligados a biocombustíveis e sustentabilidade no setor sucroenergético, que podem beneficiar 20 empresas. 
 
O suporte não foi apenas financeiro. A CTNBio - Comissão Técnica Nacional de Biossegurança - mostra cada vez mais a preocupação com o avanço das pesquisas e tem criado um ambiente favorável para o desenvolvimento da biotecnologia industrial. Nos últimos 12 meses, o órgão aprovou a liberação comercial do primeiro mosquito geneticamente modificado, uma importante conquista no combate à dengue. Também foram aprovados pela Comissão o plantio de eucalipto transgênico para a produção de papel e celulose e o uso comercial da primeira levedura, da DSM, geneticamente modificada para produção de etanol celulósico.
 
No âmbito regulatório, o Congresso Nacional discute a aprovação da Lei da Biodiversidade, que tornará mais simples o acesso ao patrimônio genético nacional. Após aprovação pelo Senado, o Projeto retornou para Câmara, no dia 15 deste mês. O assunto entra em pauta dez anos após a aprovação da Lei de Biosegurança, que regulamentou pesquisa, testes, produção, comercialização e uso de OGMs no Brasil, e fez pular de quatro para 65 o número de tecnologias de OGMs aprovados no País.
 
Sobre a ABBI – Associação Brasileira de Biotecnologia Industrial
 
A Associação Brasileira de Biotecnologia Industrial (ABBI) é uma organização civil sem fins lucrativos, apartidária, e de abrangência nacional. Fundada em 29 abril de 2014, por um grupo de doze líderes empresariais que acreditam que a biotecnologia industrial é o vetor mais promissor para o desenvolvimento econômico e social do Brasil, e que são inspirados pela convicção de que o país detém hoje o maior potencial para tornar-se líder global da bioeconomia.
 
Nossa missão é promover um ambiente econômico e institucional favorável à inovação e ao desenvolvimento do setor de biotecnologia industrial no Brasil. Nossos valores são a inovação pautada pela ética e transparência, o compromisso com a prosperidade do meio-ambiente e das pessoas. Temos como visão ser reconhecida como a principal organização que dialoga, influencia e promove o setor de biotecnologia industrial no Brasil.
 
Associados-fundadores da ABBI:
Abengoa, Amyris, BASF, Biochemtex, CTC - Centro de Tecnologia Canavieira, Dow, DuPont, DSM, Granbio, Novozymes, Raízen, Solvay.
 
 
Fonte: Assessoria ABBI via Portal Cana Online