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Carro movido a célula combustível de etanol é pesquisado no Brasil

Anfavea já solicitou ao MDIC apoio para as pesquisas


O etanol pode proporcionar ao Brasil, mais uma vez, um lugar de destaque na disputada tecnologia de propulsão da indústria automobilística. Na primeira fase, o Proálcool consagrou o país como o primeiro a adaptar um motor a uma tecnologia limpa e alternativa. Agora, quando os países industrializados correm atrás de um motor movido a célula a combustível a gás, o Brasil olha à frente e sonha com motor movido a célula, mas o combustível seria o etanol. Trata-se de um salto mais ousado e promissor que a tecnologia dos veículos híbridos e elétricos, ainda em evolução nos centros de pesquisa. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) já solicitou ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) apoio para as pesquisas.
Na mesma esteira de desenvolvimento, a Anfavea também já apresentou ao ministério a proposta consensual do setor para introdução de novas tecnologias de propulsão para automóveis e comerciais leves. "O documento sugere etapas para análise da implementação de tecnologias inovadoras e de potencial de comercial. O primeiro passo foi dado para o aumento da participação dos veículos híbridos e elétricos no mercado brasileiro", diz Luiz Moan Yabiku Junior, presidente da entidade. Para ele, o país tem plenas condições de desenvolver tecnologias de propulsão que moverão os carros em um futuro de médio e longo prazo. "Temos de utilizar os benefícios do Inovar Auto para investir em pesquisa, inovação e engenharia, para assumirmos a liderança global em novas tecnologias", diz Moan.
Para ele, o projeto está pronto. "Só estamos esperando vaga na agenda do Fernando Pimentel", disse se referindo ao ministro da Indústria e Comércio. Desta vez, o projeto é destinado aos veículos pesados, como caminhões e ônibus na mesma linha de híbridos e elétricos", diz. "Essas tecnologias são desenvolvidas por cada empresa e até esse momento os investimentos são mantidos em segredo pelas companhias", acrescenta.
"O projeto prevê duas fases de implantação. Na primeira, a importação seria incentivada para trazer novas tecnologias de propulsão ao país e teria a mesma vigência do Inovar Auto, com início imediato e continuidade até 2017", detalha Moan. Ainda de acordo com o Inovar Auto, a primeira fase também contempla a cota de importação de veículos por empresa, com aumento progressivo, adicional à importação aprovada pelo programa. "A segunda fase prevê desenvolvimento de engenharia e fornecedores e produção progressiva de componentes."
Especialistas em tecnologia automobilística não veem as pesquisas no país com muito entusiasmo. Apesar de a indústria no país manter uma rede de parceria com universidades nacionais renomadas, o segmento de pesquisa e desenvolvimento não tem a importância que deveria ter. "As montadoras instaladas no Brasil deixam a desejar no quesito pesquisa e desenvolvimento, diz Mario Sérgio Salerno, professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), coordenador do Observatório da Inovação e Competitividade. "Poderiam investir mais. Os fabricantes estão capacitados em engenharia, o que é bom, mas poderiam investir mais no segmento de motores como, por exemplo, na eficiência e motorização álcool", relata
Salerno, que coordena o Laboratório em Gestão de Inovação nas Empresas, cita algumas parcerias da indústria com centros de estudos universitários. A Fiat Automóveis, por exemplo, assinou em agosto deste ano um acordo com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) para cooperação técnico-científica na área de engenharia de motores. Essa parceria, a primeira realizada entre a universidade e a empresa, permitirá o intercâmbio de informações e realização conjunta de pesquisa de simulação computacional unidimensional e tridimensional de propulsores. O acordo prevê investimentos de R$ 3,6 milhões.
O objeto do estudo é o desempenho do motor por meio de simulações de fluxo de ar frio, do spray, da mistura e da combustão, além da transferência de calor. Com isso, será possível prever com precisão o comportamento da combustão e da mistura entre ar e combustível e, dessa forma, melhorar a eficiência do motor, diz o professor.


Fonte: Rosângela Capozoli do Valor Econômico via novaCana.com