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Clima favorece safra de cana-de-açúcar em 2013

Apesar das boas condições pluviométricas, Dib Nunes, do Grupo IDEA, afirma que as usinas e os produtores de cana têm feito a lição de casa quanto a investir na produtividade dos canaviais


Em 2010 e 2011, as condições climáticas prejudicaram a safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil, ora pelo excesso de chuvas, ora pela seca prolongada. Com o mau humor do clima, somado a problemas como poucos recursos para os tratos culturais, baixo índice de renovação e canaviais antigos, o resultado não poderia ser outro: a queda da produtividade das lavouras.
Mas já em 2012 o clima conspirou a favor das lavouras de cana-de-açúcar. Cenário que continua em 2013. Para Dib Nunes, diretor do Grupo IDEA, este ano-agrícola foi favorável para a cana-de-açúcar com grande ajuda de São Pedro. “É possível que tenhamos algo ao redor de 15 milhões de toneladas de cana a mais por conta da melhoria das condições climáticas, a partir de maio”, afirma Nunes.
Segundo ele, as chuvas que têm caído nas regiões canavieiras estão ajudando muito a cultura. “As lavouras estão reagindo. As chuvas estão caindo com abundância, as soqueiras estão bonitas. O resultado é que há prenúncio de uma safra muito boa para o próximo ano”, projeta. A idade média dos canaviais no Centro-Sul já está com 3,2 anos, sendo que o ideal é entre 3 e 3,1 anos. “Essa é uma idade média de produtividade que resulta em aproximadamente 85 toneladas de cana por hectare no Centro-Sul.”
Na opinião de Nunes, usinas e produtores de cana estão fazendo bem a lição de casa com relação aos seus canaviais. “Há muito plantio, reforma de canavial velho. Observamos também tratos culturais em todas as regiões. O pessoal não relaxou, apesar de os preços dos produtos do setor não estarem competitivos.” Mas, para ele, a agroindústria canavieira está investindo, porque acredita que o cenário vai melhorar.
Também para Luiz Carlos Correa Carvalho, mais conhecido como Caio, presidente da Canaplan e da ABAG (Associação Brasileira do Agronegócio), 2013 foi um ano excepcional do ponto de vista de chuvas para a cana-de-açúcar. É verdade que “os produtores de cana têm produtividades agrícolas muito diferentes”. Apesar disso, nessa safra, “tivemos muita usina colhendo com produtividade acima de 105 t/ha”.
Segundo ele, 2013 foi o segundo ano seguido em que vieram chuvas no segundo trimestre. E foram muito bem vindas. Ao se analisar o desempenho positivo da produtividade agrícola, o principal motivo foi o bom regime pluviométrico, mas outro fator quase tão importante é o rejuvenescimento dos canaviais no Centro-Sul.
A SAFRA – De acordo com o Dib Nunes, a safra 2013/14 fecha em cerca de 610 milhões de toneladas de cana. Para ele, ainda não se sabe com precisão se toda a cana disponível será colhida. “Não há certeza se vai haver tempo hábil para colher tudo, mas estamos sabendo que muitas usinas deverão prolongar a safra até para depois do Natal”, relata. Para ele, se sobrar cana em pé para ser colhida na próxima safra (a chamada cana bis), a sobra deverá ser entre 6 e 7 milhões de toneladas, metade das 15 milhões de toneladas que superaram as previsões.  Nesse ano, a safra fecha com produtividade de 83 t/ha e no ano que vem deve chegar perto de 85 t/ha. Ele afirma que, no ciclo 2014/15, previsões preliminares indicam produção de 630 milhões de toneladas.
Segundo ele, o resultado final da safra está dentro da previsão do Grupo IDEA, inclusive quanto à quantidade de cana. “Apenas o teor de sacarose está abaixo das expectativas e a cada ano que passa percebemos que o teor de sacarose está sofrendo demais com o processo de mecanização de cana crua.”
Para Nunes, ainda demora para os canaviais voltarem aos mesmos patamares de teor de sacarose que tinham antes da chegada maciça das máquinas. “Ainda vai demorar, esse quadro dificilmente muda nos próximos cinco anos.” O diretor do Grupo IDEA explica que a cana, quando era limpa pelo fogo, ia para a indústria com 3% ou 2% de impureza vegetal. “Hoje a cana está indo com 8%. Para cada 1% de impureza vegetal que se carrega para a fábrica, perde ao redor de 2 kg a 2,5 kg de ATR. Descontando o que já se perdia antes, estamos com 8 kg a 10 kg a menos de açúcar por tonelada de cana”, dispara.

Fonte: Clivonei Roberto Uagro