Apla-Etanol se torna mais vantajoso com mudança política e tributária
Logotipo Apla Sugarcane
EN ES PT

Etanol se torna mais vantajoso com mudança política e tributária

O aumento da mistura de etanol anidro na gasolina, de 25% para 27,5%, e a previsão de queda na exportação de açúcar, provocada pela alta do dólar e desvalorização do real, são indicativos de que a safra da cana-de-açúcar em 2015/2016 deve ser ainda mais alcooleira que nos últimos anos, principalmente para atender à demanda do mercado interno.
 
O primeiro balanço divulgado pela União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica) já aponta que 96% do total de etanol produzido pelas usinas da região Centro-Sul na primeira quinzena de março, cerca de 1,05 bilhão de litros, foram destinados ao próprio país. Para a exportação foram destinados pouco mais de 40 milhões de litros.
 
Em relação ao etanol anidro, as vendas sofreram queda de 3,8%: até 16 de março foram vendidos 364 milhões de litros pelas unidades produtoras do Centro-Sul, contra 378 milhões no mesmo período do ano passado. Por outro lado, o volume de vendas do hidratado foi maior, passando de 452 milhões para 681 milhões de litros comercializados - crescimento de 50,5%.
 
“Está muito difícil fazer previsão no cenário atual, mas a gente espera uma safra outra vez mais alcooleira. Nós estamos esperando, no geral, uma safra não muito maior. Então, esse etanol, seja anidro ou hidratado, vai sair do açúcar", afirmou Manoel Ortolan, presidente da Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo (Canoeste).
 
A entidade reúne 2,1 mil produtores de cana na região de Ribeirão Preto (SP) e deve colher cerca de 10,78 milhões de toneladas de cana, 9% a mais que a safra passada, quando foram produzidas 9,8 milhões de toneladas. "A expectativa, em função da forma como o canavial está, é de que tenhamos uma safra de números parecidos", disse Ortolan.
 
Etanol anidro
 
A Unica ainda não divulgou as projeções oficiais para a safra 2015/2016. Entretanto, o diretor técnico da entidade, Antônio de Pádua Rodrigues, estima um aumento na demanda por etanol anidro em torno de 1 bilhão de litros, provocado pelas recentes mudanças na política de combustíveis no Brasil, entre elas a redução tributária do ICMS sobre o etanol em Minas Gerais, a elevação do PIS/Cofins na gasolina e o retorno da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide).
 
"Mas isso também depende de variáveis como o crescimento do ciclo Otto nos próximos 12 meses, se vai aquecer 2% ou 3%, o poder de renda do consumidor, a venda de veículos, o crescimento do PIB, a reação do mercado de etanol hidratado, principalmente em Minas Gerais, um estado que tem a segunda maior frota do país", afirmou Rodrigues.
 
O diretor da Unica explicou ainda que a alta da demanda não significa, necessariamente, aumento de produção. Isso porque, segundo ele, a safra 2015/2016 começa com excedente de etanol anidro nas usinas "muito acima do necessário". Além disso, a expectativa é de que o Brasil exporte 400 milhões de litros a menos do produto esse ano, o que aumenta a oferta interna.
 
"Apesar de o câmbio ter desvalorizado o real e aumentado o preço competitivo da exportação, ainda não existe arbitragem positiva para exportar o mesmo volume de anidro que exportamos na safra passada. Então, se por um lado a demanda pode aumentar em 1 bilhão de litros, a oferta interna pode ser metade disso", afirmou.
 
Exportação
 
Com cotação em queda nas bolsas internacionais, o açúcar também deve ser exportado menos na safra 2015/2016, tornando o etanol mais rentável ainda. Pelo menos essa é a projeção do setor, caso o cenário atual se estenda por muito tempo. Rodrigues afirmou que, por enquanto, a desvalorização do real contrapõe a baixa de preços no exterior, mas a oferta de açúcar deve ser menor no Centro-Sul.
 
"No médio prazo, pode causar um efeito enorme, mesmo porque, a desvalorização do real foi muito maior do que a da moeda da Tailândia e da China, por exemplo. Mas, agora, o etanol está mais rentável do que o açúcar, até por conta do aumento da mistura de anidro na gasolina, que vai exigir um pouco mais desse produto internamente", afirmou Rodrigues.
 
Fonte: G1 via Unica