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Indústria de cana precisa investir mais de US$ 15 bi até 2023, estima consultoria

Archer Consulting calcula que são necessárias pelo menos 24 usinas para atender a demanda das próximas cinco safras
 
A indústria de açúcar e etanol precisará investir um montante superior a US$ 15 bilhões para atender à demanda das próximas cinco safras. A estimativa foi feita por Arnaldo Corrêa, diretor da Archer Consulting, em um relatório sobre as projeções até a safra 2022/2023.
 
Nas contas dele, o montante serviria para a construção de 24 usinas que processem, cada uma, pelo menos 5 milhões de toneladas de cana. É a capacidade necessária para o Brasil se “ajustar à realidade” do suprimento de cana-de-açúcar nos próximos anos. “As peças não se encaixam lá adiante”, diz ele, no relatório.
 
Ele prevê aumento progressivo da demanda por açúcar e etanol nos próximos anos (veja tabela abaixo). No caso do açúcar, o volume deve ser de 38,92 milhões de toneladas já na safra 2018/2019, considerando os mercados doméstico e externo. Ele calcula que no ciclo 2022/2023 esse volume pode chegar a 42,39 milhões de toneladas.
 
No etanol, a demanda pelo anidro deve passar de 12,25 bilhões para 13,13 bilhões de litros entre os ciclos 2018/2019 e 2022/2023. No mesmo período, a procura pelo hidratado deve passar de 14,53 bilhões para 176,7 bilhões de litros. As exportações também devem aumentar, de 719 milhões de litros na safra 2018/2019 para 762 milhões no ciclo 2022/2023.
 
Para atender a demanda, a produção brasileira de cana-de-açúcar precisará aumentar em 127,4 milhões nos próximos cinco anos, segundo o consultor. Até 2022/2023, o volume de cana necessário para dar suporte ao mercado é calculado em 726 milhões de toneladas.
 
Daí a necessidade de ampliar a estrutura de processamento no país. Corrêa faz a ressalva, no entanto, de que um aporte de recursos desse nível depende de o governo brasileiro garantir segurança aos investidores.
 
“A alternativa depende de investimentos acima de US$ 15 bilhões, que por sua vez dependem de segurança de que as regras do jogo não serão quebradas (refiro-me aqui à política de formação de preços da gasolina introduzida pela Petrobras, na administração do Pedro Parente)”, diz ele.
 
Outra opção, segundo Corrêa, seria diminuir a mistura de etanol anidro na gasolina, mas “não resolve a equação”. É possível também aumentar a importação de gasolina ou de etanol de milho, já em níveis elevados neste ano. Mas essas opções esbarram em limitações de logística no Brasil.
 
Fonte: Revista Globo Rural