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Produtores mundiais pedem maior "popularização" do açúcar

Nos últimos meses, 60 fábricas interromperam sua produção e outras dez estão em alerta

Desde 2011 o preço internacional do açúcar apresenta uma queda acentuada 

A Organização Internacional do Açúcar (ISO, na sigla em inglês) pediu nesta terça-feira (24/3) em São Paulo uma maior "popularização" do produto para enfrentar a queda do preço, os altos custos de produção e a guerra aberta de outros setores contra o derivado da cana-de-açúcar e outros vegetais.

"Uma popularidade maior do açúcar será uma coisa boa para as indústrias de todo o mundo. Ninguém pode negar isso", afirmou o presidente da ISO, José Orive, durante a abertura do Sugar & Ethanol Brazil 2015, evento que durante dois dias reunirá especialistas do setor açucareiro em São Paulo.

Desde 2011 o preço internacional do açúcar apresenta uma queda acentuada e este mês chegou a seu menor valor nos últimos seis anos, com um mercado em superávit e um cenário que exige uma "revisão" na cadeia do produto, ressaltou Orive.

No encontro promovido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Orive lembrou que no Brasil, o maior produtor mundial de açúcar, o setor se aproxima da linha que divide o lucro das perdas.

Nos últimos meses, 60 fábricas interromperam sua produção e outras dez estão em alerta pela situação delicada que atravessa o setor.

Além dos fatores vinculados à situação econômica local e internacional, o açúcar é o "vilão" para outros grupos que levaram, por exemplo, a que o setor de bebidas busque outras alternativas para substituí-lo.

"Eles não encontraram nada como o açúcar e nem vão encontrar", assegurou Orive, para quem, além da defesa do produto, o importante é "incentivar seu consumo de uma forma saudável" e acompanhada de atividades físicas por parte de seus consumidores.

Etanol
Orive indicou que, no caso da América Latina, as previsões assinalam que, em 2020, 60% da cana-de-açúcar processada no continente será utilizada para produzir etanol e o 40% restante estará destinado ao consumo alimentício.

No entanto, no caso específico do etanol no Brasil, maior exportador do álcool carburante extraído da cana-de-açúcar, o setor passa por uma crise que levou os produtores a pedir regras mais claras no preço da gasolina.

"A demanda pelo etanol vai crescer nos próximos anos impulsionada por uma demanda de combustíveis elevada, mas, para atender essa demanda, necessitamos de regras mais claras porque os investimentos são de longo prazo e alto valor", disse à Agência Efe durante o encontro o presidente da Coruripe, Jucelino Oliveira de Sousa.

No Brasil, a nova frota de automóveis sai de fábrica com a tecnologia "flex", que permite o uso de gasolina, álcool carburante ou a mistura de ambos em quantidades livres, e desde a semana passada é obrigatória a mistura de 27,5% do biocombustível à gasolina.

O presidente da Biosev - uma das maiores produtoras mundiais de etanol e açúcar -, Rui Chammas, instou o governo a definir sua estratégia de uma matriz energética para o país e assim o setor poder receber as demandas traçadas por uma política oficial.

Nesse sentido, o presidente da Câmara de Açúcar e Etanol da bolsa de São Paulo, Luis Gustavo Junqueira Figueiredo, lamentou que uma parte da classe política do país defenda que os preços internacionais não devem ser refletidos em produtos como a gasolina.

Em 2014, ano de eleições, o preço da gasolina no Brasil se manteve sem ajustes apesar das pressões do setor açucareiros que viu como a demanda de etanol se estagnou ao não poder concorrer contra o combustível fóssil.

Fonte: Agência EFE via Portal Globo Rural