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Venda de máquinas dá sinal de reação

Os resultados registrados em maio animaram a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) a estimar um cenário menos negativo para o segmento de máquinas agrícolas neste ano como um todo. Mas, para que se concretize a estimativa divulgada pela entidade de que a queda acumulada das vendas domésticas em relação a 2015 será de "apenas" 15,5%, a recuperação terá que ter continuidade nos próximos meses.
 
Em encontro com jornalistas ontem na capital paulista, a diretoria da Anfavea informou que as vendas domésticas alcançaram 3.444 unidades em maio, 19,3% mais que em abril. Ainda houve queda de 16,9% em relação a maio de 2015, mas foi a menor de 2016 nesse tipo de comparação com igual mês do ano passado. Em janeiro, a queda sobre janeiro de 2015 atingiu 53,2%, em fevereiro chegou a 36,5%, em março foi de 43% e em abril, de 32,2%.
 
Segundo Antonio Carlos Botelho Megale, presidente da Anfavea, um dos fatores que abriram espaço para o aumento das vendas em maio na comparação com abril foram as oportunidades geradas na Agrishow, tradicional feira do setor de agronegócios realizado em Ribeirão Preto (SP). Realizado entre 25 e 29 de abril, o evento gerou R$ 2 bilhões em negócios, de acordo com seus realizadores. 
 
A outra influência positiva foi a antecipação do anúncio do Plano Safra 2016/17 para o início de maio, um dos pontos da estratégia política usada pela presidente afastada Dilma Rousseff para tentar permanecer no cargo. Para isso a medida foi inócua, mas, por outro lado, o anúncio aqueceu as vendas de máquinas, já que a taxa de juros do próximo Plano Safra prevista para esse tipo de investimento é um ponto percentual superior à praticada neste ciclo 2015/16, que vai até 30 de junho. 
 
"Houve uma corrida aos recursos do Moderfrota [programa de renovação de maquinário abastecido pelo BNDES], que acabaram na semana passada", afirmou Megale. Ele também comemorou o fato de que os produtores rurais já poderão começar hoje a apresentar aos bancos suas propostas de aprovação de crédito para a compra de máquinas de acordo com as condições previstas no Plano Safra 2016/17. "Representa uma continuidade muito positiva", disse o presidente da Anfavea. 
 
Com o incremento observado em maio, as vendas domésticas de máquinas agrícolas somaram 12.985 unidades nos primeiros cinco meses deste ano, uma queda de 16,4% na comparação com igual intervalo de 2015. Se o percentual de queda de fato cair para 15,5% no acumulado do ano como projetou ontem a Anfavea, as vendas alcançarão 38 mil unidades em 2016. Resta saber, ainda, se a sazonalidade do mercado vai colaborar ou não para isso.
 
As vendas registradas nos primeiros cinco meses representam 38% do total previsto para o ano, o menor percentual dos últimos anos. Em 2015, até maio as vendas representaram 45,1% do total anual, ante 39,6% em 2014 e 40,7% em 2013. Mas Megale acredita que a alta dos preços de commodities como soja, milho, açúcar e café nas últimas semanas, aliada ao câmbio favorável às exportações agrícolas, pode criar um ambiente mais positivo ¬ desde que a crise de confiança dos produtores, influenciada por uma crise política que resiste em arrefecer, fique para trás.
 
Fonte: Valor Econômico via Revista Canavieiros